janeiro 26, 2009

Citações em mim

"Para atravessar contigo o deserto do mundo"
Bárbara,
A ti que sabes ser inteira para mim agradeço profundamente essa oportunidade, essa janela que rasga o céu e faz as coisas melhores desabarem nos meus dias cinzentos. Obrigado por dares as cores que os meus olhos não tocam, fechados pela mão da desilusão. Hoje e sempre sei que virás ter comigo com a mesma brancura, com a mesma atenção silenciosa, com o mesmo calor que parte a dor ao meio, depois das lágrimas que caem na cumplicidade de um abraço eterno. Contigo aprendi que a verdade é uma coisa que trazemos dentro de nós, secreta, que nos mantém vivos, verticais perante o vento forte desta vida que nos abana no caminho de casa.
Foi contigo que aprendi a humildade e, vendo-te caminhar, soube que a vida é luta, é força, é afirmação quando o cansaço se apodera das possibilidades. Sobretudo aí, onde a tua calma e a tua gentil espera me suscitavam admiração e me faziam adorar-te - o negro caía por terra, sem te contaminar. O teu sorriso, as tuas palavras, os teus erros apareceram-me sempre com aquela luz do que é puro e nos amacia as linhas do destino. Sei hoje que vivo também por te ter, manténs a minha alma acesa pelo amor que me entregaste no primeiro dia de mim. Sou sempre teu porque me ajudaste a descobrir coisas que afinal são obra do teu toque no meu coração, isso acontece todos os dias.
Vieste quando precisava, sem eu pedir. O meu esqueleto, o que sou sem fingir, nunca te afastou porque a beleza dos que amas brilha no teu carinho, a amizade verdadeira é inviolável e a sua estética, confundo-a contigo. Nunca me desiludiste, nunca me magoaste, nunca me mostraste outra coisa que não uma grandeza maior do que o teu tempo, do que as palavras que tento usar. Os meus dias foram os teus dias e Deus só o é, tão grande, porque tu o puxaste até mim com o melhor de ti. É isso, ensinaste-me a acreditar de uma forma tão firme que só sinto paz quando o teu cheiro me faz adormecer a mágoa, o sofrimento.
Não há conceitos que nos aprisionem, o pudor fica à porta da nossa morada e essa inteireza é o maior presente que podia ter, tudo se faz partilha quando despimos as convenções e os espartilhos do medo. O que somos é consanguinidade, nasce da mesma fonte e torna-se espelho de união. Crescemos juntos em tempo mas sobretudo em tamanho, o orgulho que tenho por ti é um antídoto contra a desistência e a vida parece menos uma obra do acaso. Ao querer ter-te, ao escolher-te como companheira de viagem, sou eu mais que nunca, é a minha vida que te confio. És o ar que faz a alma mais leve do que as vicissitudes. Obrigado.
Hoje foi mais um dia, mais uma oportunidade, há um mundo novo sempre em cada acordar. E amanhã vai ser o dia em que os teus sonhos vão ter contigo e te vão acordar, segredando-te que valeu a pena persistir. Não duvido que a vida é redonda e que, no avesso do tempo, o que pedimos todos os natais da alma vem completar a metade que faz as perguntas. Foste tu que me dobraste o cepticismo ao meio e estampaste na minha face o que sou. Não tenho dúvidas contigo. Falamos tanto e de tantas coisas mas sempre sem preguiça, sem pressa. Ensinaste-me que o segredo para as coisas durarem é o não se cobrar, é o não dar com asteriscos. A vida não é um contrato.
Agradeço-te do fundo do coração o teres acreditado em mim e por teres deixado que eu te tomasse para dentro da minha história, para sempre. Quando ouço esta promessa choro de alegria e os problemas são o parente pobre da minha escrita. Tantas páginas por preencher, não seriam umas linhas a roubar o sentido do que é um testemunho de amor, o maior dos bálsamos contra o peso sobre o coração.
Obrigado.

1 comentário:

Joana Banana disse...

e o mais fantástico é conseguirmos falar completamente de outra pessoa, sem ser de nós, por muito que nos toca e nos faça em cada dia*